18 maio, 2009

VINHO AZEDO

Francis Bacon, Figure with Meat
Este blogue existe desde Setembro e só hoje decidi não publicar um comentário. Um comentário deselegante e ofensivo de um anonimozito qualquer que destila ressentimento e frustração sempre que alguém toca no sagrado engenheiro e na sua luciferina e pestilenta acólita. Apesar de o PS ser actualmente dirigido por uma escória insuportável, sei também que tem boa gente que está acima desta fatalidade histórica.

A deselegância, a mim, não me perturba. Tive a sorte de crescer ao lado de toda a espécie de criaturas e a vida ensinou-me que há criaturas para todos os gostos. Tive foi também a sorte de ter uma família que me ensinou, ao contrário de uma hiena sarnenta, a dar a cara pelas minhas ideias e convicções.

Se eu chamar cretino a um anónimo, este, no dia seguinte, passa por mim na rua, olha para mim e sabe que lhe chamei cretino. Mas eu, sendo ele anónimo, não sei que passei por ele e que se trata do cretino a quem chamei cretino. É uma luta desigual e desonesta. Eu gosto de conversar com pessoas que discordam de mim, ou até que sejam ferozmente críticas, desde que eu possa vê-las "olhos nos olhos". Até posso tomar chá com uma pessoa que não gosta de mim, que sabe que eu sei que não gosta de mim e que me diz que não gosta de mim. Só não consigo é beber chá, bebida que, felizmente, aprendi a beber desde muito cedo, com pessoas que, para além de lamberem os beiços com vinho azedo, também não posso saber quem são porque se escondem atrás das portas, lançando perdigotos azedos pelo buraco da fechadura.

1 comentário:

jose albergaria disse...

E fez você muito bem.
Sabemos, eu e o meu amigo, que, nem sempre estámos de acordo quanto ao personagem Sócrates. Respeito, sempre respeitei, não só o seu pensamento, mas o modo como o exprime.
Acho-o, sempre inteligente, mas, aqui e acolá, eivado de algum "pré juizo", de um ou outro "pré conceito", que, por vezes, retira brilho à sua erudição e qualidades literárias.
No entanto, o debate de ideias, entre pessoas civilizadas, sempre se fez com argumentos, com opiniões, com afectos, com sentimentos, com erros,também.
Acresce ainda outra razão, àquelas que o JRC já aduziu: quando "entrámos" em casa alheia, pedimos licença e, se nos deixam entrar, educadamente nos comportamos.
É o trivial, que se exige a qualquer cidadão.
Abraço,
José Albergaria