03 maio, 2009

S. LEONARDO DE GALAFURA

«O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso de natureza. Socalcos que são passados de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor pintou ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis de visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta». Miguel Torga, Diário XII

2 comentários:

marteodora disse...

Há mais ou menos um mês, andámos, numa viagem sem fim, pelo Alto Douro Vinhateiro e, sem dúvida, aquele relevo é um conjunto de sublimes esculturas feitas pelo Homem. E, depois, pintadas de verdes e castanhos, pela Natureza!
O Douro é um colar, doidado pelo Sol, a compôr o quadro.
Bela foto; mais uma!

José Ricardo Costa disse...

Aquela zona é, de facto, fantástica. E o Marão, nesta altura, está uma maravilha, cheio de manchas amarelas da carqueja.

Obrigado!

JR