06 maio, 2009

MAQUIAVEL NO CINEMA

Maquiavel, no capítulo XXV de O Príncipe, dá-nos estas belas e sensatas palavras:

"E não me é desconhecido que muitos tiveram e têm a opinião de que as coisas do mundo são de tal modo governadas pela fortuna e por Deus, que os homens com a sua prudência não as podem corrigir, nem têm, aliás, remédio algum para tal; e por isto poder-se-á julgar que não seja de suar muito nas coisas, mas de deixar-se governar pela sorte. (...) Porque o livre-arbítrio não foi extinto, julgo poder ser verdadeiro que a fortuna seja árbitra de metade das nossas acções, mas que ela também nos deixe a nós governar a outra metade, ou quase. E assemelho-a um destes rios ruinosos que, quando se irritam, alagam as planícies, derrubam as árvores e os edifícios, levam terreno de um lado, põem-no no outro: cada um foge adiante deles, todos cedem ao seu ímpeto, sem lhes poderem opor em parte alguma. Daí não resulta que os homens, quando estão tempos tranquilos, não possam tomar providências, quer com amparos, quer com açudes, de modo que, crescendo depois, eles se encaminhem por um canal ou o seu ímpeto não seja tão danoso nem tão desenfreado".

Já sei que, hoje à noite, quando estiver no cinema, um pouco antes do intervalo, a temperatura da sala irá sorrateiramente aquecer. Quando as luzes se acenderem, já se sabe, as pessoas irão, sedentas, correr para o bar, onde uma garrafa de água de 0,5 L custa mais do que 1 litro de gasolina. É por isso que, antes de ir para o cinema, passarei pelo supermercado onde irei uma buscar uma garrafa de água que custa 20 cêntimos.

Nada como seguir o sábio aviso do nosso prudente Nicolau. Quando o rio é impetuoso, só temos de pensar em construir diques e açudes.

2 comentários:

Alice N. disse...

O pior é se os cinemas também se lembram de construir os seus diques e açudes... Hoje, parece que vale tudo para assaltar os bolsos dos clientes.

nefertiti disse...

até o chocolate compro no supermercado (juro que não faço barulho quando como!)