15 maio, 2009

LUÍS MAGALHÃES


Este retrato de Luís XIV é, certamente, a imagem que melhor representa o rei-sol (se exceptuarmos aquela um bocadinho ridícula onde ele, ainda jovem, faz mesmo de sol). Foi pintada por Rigaud e tomou o lugar do rei na sala do trono durante a sua ausência de Versalhes. Ora, estar de costas voltadas para o retrato era considerado uma ofensa pois o retrato era o próprio rei.

Havia, de facto, uma preocupação na representação física do rei como forma de tornar o seu poder omnipresente ainda que estivesse fisicamente distante. Daí haver retratos em festivais de província, em reverência ao rei, chegando mesmo a ser carregados em procissões como se de um santo se tratasse.

Com base nisto, avanço com a seguinte teoria. A necessidade que Sócrates tem de andar por aí a distribuir magalhães como se de um quinquilheiro se tratasse, está para ele como o retrato para Luís XIV. O magalhães representa a omnipresença de Sócrates, a sua forma de se manifestar ainda que estando ausente, uma manifestação do seu poder, mistura de Pai Natal e de Rei-Sol que irradia nos lares portugueses fazendo as famílias felizes com o calor das novas tecnologias.

Que o homem é um poço de mediocridade já quase toda a gente percebeu. Mas escusava de descer tão baixo. Luís XIV sempre tinha algum estilo.

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