31 maio, 2009

JOHN CASSAVETES - UMA MULHER SOB INFLUÊNCIA


Outro filme teatral, filmado à mão, uma câmara que circula entre as personagens as quais, por vezes, surgem desfocadas, tal é a ansiedade com que são procuradas pela câmara.

Se o momento principal de Faces é aquele em que Richard diz para Jennie: "Don't be silly. Just be yourself", o momento principal de A Woman under the Influence é quando Nick (Peter Falk) diz para Mabel (Gene Rowlands) : "Be yourself".

Um filme feito para Gene Rowlands, de novo soberba. O guião terá sido escrito para teatro e foi Rowlands que convenceu o marido, John Cassavetes, a adaptá-lo ao cinema, pois não aguentaria o ritmo diário da representação.

Filmado em 1974, o filme surge numa época em que o debate no campo da anti-psiquiatria estava no auge, trazendo questões como a da diferença entre loucura e normalidade, a solidão, o isolamento, a falsidade das relações. Eu estava a ver o filme e só me vinham à cabeça os livros de Cooper e de Laing.

Existe ao longo de todo o filme, tal como em Faces, uma violência latente, ainda que se trate de um almoço de amigos ou de uma festa. Podemos estar perante uma atmosfera marcada pela harmonia mas sente-se facilmente o vulcão que existe por baixo. Tal como em Faces, as pessoas circulam entre si, tocam-se, agridem-se, interagem eroticamente mas, no fundo, nenhuma delas está fora do seu próprio mundo e consegue chegar ao mundo do outro.

Sem dúvida, um Antonioni americano. Uma lança de bom gosto e inteligência independente no país da indústria cinematográfica.

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