05 maio, 2009

INTERIORES HOLANDESES

Pieter de Hooch, A Mãe

Sempre que estamos perante os interiores holandeses, devemos ficar silenciosos, desligarmos tudo à nossa volta, mexermo-nos devagarinho, chegarmos e partirmos lentamente, em bicos dos pés, tentando passar o mais possível despercebidos. Perante um interior holandês, tal como numa missa, não se pode fazer qualquer barulho que perturbe aquela ordem.

Aqueles interiores não devem ser perturbados. Ficaram assim há muitos anos e assim devem continuar. Silenciosos, quietos, imperturbáveis, absorvidos nos seus próprios rituais quotidianos. Ali estão eles sem terem a consciência do tempo que os ultrapassa. Eles estão no mundo tal como o mundo deve ser. O tempo gira à sua volta mas os ponteiros continuam parados.

2 comentários:

marteodora disse...

São "fotografias" soberbas, de facto.

addiragram disse...

Instantes só disputados por Cartier Bresson.