21 maio, 2009

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SILÊNCIO


Como eu entendo este moço. Mas tudo na vida tem uma explicação.

Quando entramos numa igreja fazemos silêncio, ainda que sejamos ateus. Porque sabemos que se trata de um local de culto e respeitamo-lo enquanto tal. Mesmo que a igreja esteja vazia, continuamos a não fazer barulho pois não é por estar vazia que deixa de ser um local de culto. E o respeito é mesmo isso. Percebermos que aquele local, tal como uma conferência, uma sessão de cinema ou um funeral, têm uma natureza que se sobrepõe à nossa individualidade. Eu posso gostar muito de falar, gritar, rir às gargalhadas, saltar, dançar ou fazer o pino mas, ali, não o poderei fazer.

Acontece que as bibliotecas, actualmente, começaram a descer ao nível das salas de aula. Há muito tempo que a sala de aula está transformada num chiqueiro sonoro onde os alunos passam o tempo, felizes e contentes, como se estivessem no café ou no recreio.

Com a biblioteca passa-se o mesmo. Como numa escola já ninguém lê livros, a biblioteca morreu enquanto espaço de leitura. Para quê um espaço de leitura se ninguém lê? Por exemplo, a biblioteca da minha escola é, actualmente, um espaço para reuniões de professores, para ver filmes, para navegar na internet, trabalhos de grupo (quase todos relacionados com a internet) e de convívio. Quando vou buscar o meu filho à parte juvenil da biblioteca de Torres Novas, a sala está sempre cheia de garotos. A jogar no computador.

Uma vez por semana, costumo passar uma manhã inteira na biblioteca central da UBI. É impossível trabalhar convenientemente tal é o barulho dos nossos actuais universitários. Mas até faz sentido. A primeira vez que entrei na UBI, no passado mês de Outubro, fui recebido ao wagneriano e épico som de "Pró caralho, pró caralho....pró caralho, pró caralho, pró caralho". Era o início oficial do ano lectivo. Os professores por lá andavam, sentido uma mistura de derrota e complacência.
Mal por mal, antes os sapatos da vizinha de cima.

2 comentários:

José Borges disse...

É trágico, é dramático!

nefertiti disse...

"Chiqueiro sonoro" é a expressão correcta. Irrita-me solenemente bibliotecas barulhentas.