25 maio, 2009

GUERRA E PAZ - XXVIII

Munch, Auto-Retrato
Neste post, falei de um momento absolutamente espantoso do romance: o que se passa na cabeça de um homem, neste caso, Andrei Bolkônski, quando acaba de ser mortalmente ferido. Nada à sua volta é importante, o mundo, a política, a guerra. Apenas a sua alma e o céu azul acima dela. A alma de um homem que morre é a alma de um mundo que morre. A minha morte é a coisa mais importante da minha vida e, perante ela, nada mais tem importância. Nada é tão importante como este eu que vai deixar de ser eu. A consciência da morte que se aproxima representa um estado de quase solipsismo, de um eu fechado na consciência do seu próprio fim.

Entretanto, muito depois disto, acaba assim o capítulo 2 do segundo volume: " De Bolkônski não se falava, apenas quem o conhecia bem lamentava que ele tivesse morrido tão novo deixando a mulher grávida com o pai velho e esquisitão."

Não há dúvida de que, dentro de cada um de nós somos um romance inteiro, mas, na verdade, não passamos de uma ínfima nota de rodapé no infinito livro do mundo.

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