24 maio, 2009

EUROPA E ISLAMISMO

Numa entrevista ao Público, o activista islâmicoTariq Ramadan não escondeu a sua indignação pela dificuldade que tem em mostrar que é tão europeu como outro europeu qualquer."Por que é que pensa que eu não sou ocidental? Eu sou suíço por nacionalidade, europeu por cultura e muçulmano por religião".

Vejamos o seguinte. A religião, à primeira vista, parece ser uma coisa da ordem íntima e pessoal do sujeito, que não interfere com a sua vida social vista como um todo. Neste sentido, a religião é como ser do Sporting, homossexual ou gostar de queques de laranja.

E se a minha religião disser que, entre essa religião e a política, não deverá existir qualquer separação? E se, como diz John Locke na Carta sobre a Tolerância, uma certa religião pretender minar os alicerces da minha sociedade? Ora, ser europeu, culturalmente, civilizacionalmente, implica que a religião pertence mesmo ao foro íntimo e pessoal de cada um. Então, se um muçulmano achar o contrário, que a religião e a política devem estar misturadas ou que a última deve mesmo estar subordinada à primeira, jamais poderá dizer que é europeu por cultura e muçulmano por religião.

Mas também há experiências históricas no mundo islâmico em que foi e é possível tal separação. Taric Ramadan terá de ser muito claro no que pensa acerca dessa conciliação entre cultura europeia e religião muçulmana. E, ao que parece, não tem sido...

2 comentários:

addiragram disse...

Bem posto o dedo na ferida! A clareza terá de ser bem clara...o mesmo é dizer,terá de passar pelas acções e não apenas pelas ideias.

jose albergaria disse...

Certeiro rigoroso e justo.
Assunto que me interessa sobremaneira: vou fazer um link para este seu poste lá na minha rua.
Obrigado, por antecipação.
JA