11 maio, 2009

EPOCHÊ


Este texto fez-me lembrar um insólito episódio.

Na manhã do passado sábado, chego à universidade para o meu seminário de Ética e dou com milhares de carros e milhares de pessoas. Alunos, vestidos com uma farda, as famílias dos alunos, crianças, jovens, adultos e velhos, como se fossem para um chá com a rainha de Inglaterra. Vim entretanto a saber que era por causa de um padre que iria benzer umas pastas.
Mas, para além da benção, devia haver também farra. Só isso explica o facto de estarmos a ouvir música de Quim Barreiros vinda da rua, enquanto o professor fazia uma distinção entre Aristóteles e Heidegger, entre uma concepção naturalista e uma concepção kairológica do tempo.
Céus, o jeito que me teria dado uma epochê fenomenológica. Quer dizer, colocar o mundo entre parêntesis. Pelo menos até à hora de almoço.

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