16 maio, 2009

EDUCAÇÃO SEXUAL OU FASCISMO SEXUAL?

Sou, de um ponto de vista social, visceralmente individualista e anarquista. Na escola, sempre detestei fazer trabalhos de grupo. Odeio a ideia de comunidade, como professor, enjoa-me quase até ao vómito a ideia de "comunidade educativa" e detesto que o estado se meta na minha vida. Tenho uma profissão através da qual dou o meu contributo à sociedade e, graças a isso, recebo mensalmente um vencimento para poder viver. Escrevo semanalmente num jornal regional e dou, uma vez por semana, gratuitamente, uma aula de Filosofia numa associação de reformados e pensionistas. Chega!Tirando isso, quero que a sociedade e o estado vão dar uma volta, exigindo apenas que este último cumpra com as suas obrigações em função dos impostos que mensalmente lhe pago.

Talvez isto possa explicar o facto de me faltar o ar sempre que vêm com a jacobina história da "educação sexual". Educação sexual? Leia bem: educação sexual. Mas o que é a educação sexual? Ensinar a ovulação, a reprodução, a fecundação? Isso é Biologia. Mostrar como é uma pila ou um pipi? Continua a ser Biologia. E também não é nas aulas que se aprende como é uma pila ou um pipi. É nas festas, no banco de trás do automóvel, em casa quando os pais estão ausentes no trabalho, no vão das escadas quando o namorado leva a namorada a casa depois de virem da discoteca.

Serão então aulas para pôr os jovens em "mesa redonda", coisa muito moderna e interactiva, a falarem sobre sexo? Se for isso, é um disparate. O sexo não é para se falar, é para se fazer. O sexo não tem nada para dizer. Uma pila que entra num pipi é uma pila que entra num pipi. Ponto final. Não são precisas aulas para perceber isso ou para falar sobre isso.

Eu vou explicar para que servem as aulas de educação sexual. O princípio é o mesmo que está subjacente à avaliação dos professores e outras profissões, à alimentação, à saúde, à higiene. Significa reduzir a vida a uma dimensão técnica, em que tudo pode ser ensinado, discutido e avaliado. Significa uma redução da espontaneidade da vida ao poder ideológico dos sociólogos e psicólogos, que dão a teoria e a técnica e, depois, dos políticos que legislam através de uma linguagem técnica obscena. Significa um controlo social do indivíduo, uma manipulação técnica dos seus sentimentos, a compreensão de todos os nossos actos a partir de uma base científica, ecológica, biológica, técnica.

A educação sexual na escola significa trocar a moral sexual cristã por uma moral sexual científica estudada em manuais da Porto e Texto Editora e ensinada por um professor que fala "daquelas coisas" como se estivesse a dar uma aula de Química, se bem que disfarçada com a retórica dos "afectos", dos "sentimentos", do "respeito pela pessoa humana" . Depois, serão feitos testes de avaliação, não sem antes fazer uma revisão da matéria dada.

Um pesadelo. Um inútil e fascista pesadelo.

5 comentários:

addiragram disse...

Parabéns! Brilhante.

disse...

Gostei muito. E concordo plenamente.

José Borges disse...

Muito bem!

Gosto também de ouvir sempre a expressão 'respeito pela pessoa humana'!

Xantipa disse...

(só comento porque tenho uma fixação nas palavras que saem na verificação e esta é «colystrol». Bem, não vai ser um comentário, mas uma confissão:)
José Ricardo, não sei se já lhe disse, mas tenho uma inveja enorme deste blogue, que é um dos mais inteligentes que conheço.
Vergonhosamente,
Adriana

Ega disse...

É apenas o melhor texto que li em toda a Bloga sobre este assunto. E só não incluo os jornais porque já não os leio.

Cumprimentos,