08 maio, 2009

CARTAZES PARAÍSO


Graças ao Jorge, tomei conhecimento deste magnífico blogue. Magnífico, por razões objectivas mas também por razões pessoais.

Há muitos, muitos anos, o meu pai fazia parte da direcção do cinema Virgínia. Havia alturas em que os meus pais iam ver todos os filmes (terças, quintas, sábados e domingos) e eu, garoto, para não ficar sozinho em casa, ia com eles. Só que, quando os filmes eram para maiores de 17 anos, e eu não podia assistir, ficava a brincar pelo hall, pela enorme varanda interior, a subir e descer escadas.

Havia, como os mais velhos se lembrarão, para além dos cartazes, uns pequenos placards em cartão com fotografias dos filmes. Eu, roído por não ver vê-los, passei horas da minha vida a olhar para essas fotografias, tentando, a partir delas, imaginar os filmes. Era a minha maneira de ver os filmes que não poderia ver. Quando eles acabavam e os meus pais saíam, eu tinha a sensação de também os ter visto.

Eu acho que virá daí o fascínio que ainda hoje tenho pelas imagens. Mesmo a ler o jornal, dou às vezes por mim a olhar fixamente para o rosto de algum sindicalista, sabendo que a coisa menos interessante do mundo será o rosto de um sindicalista.

A fotografia, dizem, vale mil palavras. Para mim, valia um filme.

1 comentário:

addiragram disse...

Mergulhava na imagem na esperança de penetrar nessa obscuridade encantada que é o mundo dos mais velhos.