12 abril, 2009

UM LIVRO CONTRA A CRISE

Estamos em crise, certo? Certo. As crises são terríveis para as depressões? Certo? Certo. Estamos condenados a ficar deprimidos nas épocas de crise, certo? Não, errado.

Há várias possibilidades: metermo-nos na droga, andarmos com uma garrafa de whiskey debaixo do braço, dedicarmo-nos ao sexo tântrico cinco vezes ao dia, fecharmo-nos em casa, imunes ao que se passa no mundo, enfim, em última instância há sempre aquele agradável alívio propiciado por um tiro na cabeça ou um frasco de Xanax misturado com uma garrafa de aguardente velha enquanto vemos o programa do Manuel Luís Goucha.

Seriam todas elas hipóteses interessantes não fosse o caso de terem efeitos secundários problemáticos, principalmente a do tiro na cabeça. Por isso trago aqui uma solução mais interessante: um livro.

Um romance de David Lodge chamado Um Almoço nunca é de Graça. Li-o há dois anos e tal e ainda hoje dou por mim a rir ao lembrar-me de certas situações. Foi o segundo romance de Lodge que li. O primeiro foi O Museu Britânico ainda vem Abaixo que também não é livro para desprezar

Um Almoço nunca é de Graça consiste no seguinte: imagine uma professora universitária de Literatura, feminista, intelectual de esquerda a ter um romance com o administrador de uma empresa de metalomecânica, conservador, reaccionário, rabujento, ignorante, o inglês mais convencional que se possa imaginar.

Bem, julgo que não é preciso dizer mais nada. Boa crise!

3 comentários:

Woman Once a Bird disse...

Já agora, recomendo Terapia. Hilariante. Um homem de meia idade descobre Kierkegaard...

adsensum disse...

Lembro-me bem d' "O mundo é pequeno" que li há mais de 10 anos. Foi o único de Lodge que li. Gostei bastante.
Vou aceitar a recomendação,José Ricardo.

pmramires disse...

Tomei a sério a sugestão. Aluguei-o a semana passada e li-o no fim-de-semana. Muitas vezes hilariante, sempre divertido, um excelente passatempo. E até dá vontade de ler de rajada toda aquela bibliografia inglesa séc. XIX. De qualquer maneira, do David Lodge (‘conhecia-o’ mas nunca o tinha lido), vou ler mais uns poucos. Muito obrigado.