10 abril, 2009

SÉCULO XIX


"A polícia grega neutralizou cinco engenhos explosivos colocados na catedral da Igreja ortodoxa de Atenas, a principal do Pireu, o porto da capital, e em duas igrejas bizantinas, no Norte. A acção foi reivindicada por dois grupos, Conspiração das Células de Fogo e Comando das Facções Niilistas no site Indymedia. Os dois grupos, qualificados pela polícia como anarquistas, denunciam a religião como um "manhoso mecanismo de autoridade" e justificam as acções com a aproximação da Páscoa, que os cristãos ortodoxos comemoram a 17 de Abril", Público, 10 de Abril de 2009

Esta pequenina notícia, quase despercebida, no canto inferior direito do jornal, não me deixou indiferente.

Vamos já esclarecer o seguinte. Apesar de detestar a religião, o meu lado tolerante e liberal permite-me conviver muito bem com ela. Se os meus filhos um dia me pedissem para serem baptizados, eu iria logo no dia seguinte falar com um padre para tratar dessa coisa. Sou amigo de um padre que, de tempos a tempos me convida para almoçar em sua casa e com o qual adoro conversar.

Mas há qualquer coisa neste notícia que me dá um certo prazer. Não, não é a ideia das bombas. Acho a violência insuportável e apenas admissível em circunstâncias muito especiais. Portanto, não é a história da bomba propriamente dita. O que me dá prazer nesta notícia é o facto de me fazer lembrar um mundo que já morreu, um mundo ainda humano, ou até mesmo demasiado humano, o mundo do século XIX, dos romances de Dostoievski, do Príncipe Kropotkin, de Max Stirner, de Feurbach, de Bruno Bauer, de Bakunine, de Marx e de Engels, de Heinrich Heine, de Nietzsche, ou até mesmo de Eça ou Antero.

"Comando das Facções Niilistas" ? Mas não é uma maravilha?

1 comentário:

José Borges disse...

Engraçado, no outro dia no comboio da ponte, ia a falar de assuntos políticos com um amuigo que me acompanhava quando a certa altura somos interrompidos por um sujeito franzino e visivelmente meio abafado da cabeça que se intromete e começa a falar-nos do Anarquismo, e das reuniões onde vai e do Estado que é preciso derrubar e não sei mais o quê. Depois perguntou-nos: 'vocês sabem que o anarquismo não é só bombas, não é?' A páginas tantas eu começo a falar do Bakunine, do Proudhon, do Malatesta e não sei quem mais e o sujeito diz no fim: 'quem? quem?'. O engraçado é que a impressão que eu tenho é que eles lêem os seus teóricos, mas só esses.