14 abril, 2009

REGRESSO À ESCOLA

Regressei hoje à escola. A primeira palavra que ouvi ao passar o portão foi "foda-se". A segunda palavra foi "foda-se", a terceira palavra, felizmente, para variar um pouco, foi "filho da puta". Não foi propriamente um regresso empolgante, mas já me posso dar por satisfeito por saber que o filho da puta não era eu.
Jorge, podes emprestar-me o livro do Maistre?

4 comentários:

addiragram disse...

A linguagem é, de facto,a expressão maior da nossa capacidade de pensar, através da representação simbolica.A criança psicótica, por exemplo,
apresenta, muito frequentemente, atrasos e perturbações da comunicação e da linguagem, porque apresenta também perturbações na representação simbólica.
A linguagem, repleta de palavrões, do adolescente sempre existiu.Todos nós nos lembramos e,mto em especial os rapazes. Ela corresponde a uma fase que tende a ser ultrapassada. Quando se fica e fixa nessa linguagem com mero carácter "evacuativo" fica-se incapaz de um pensamento mais elaborado...Contudo ela tem tb o seu papel...

José Ricardo Costa disse...

Cara addiragram,

Nem imagina o que tenho vontade de dizer sempre que o Benfica sofre um golo. E, como bem deve entender, serão muitas as vezes. O problema não está em dizer asneiras. O problema está na pobreza de uma linguagem que pouco existe para além das asneiras, mas também no aspecto moral. Quando éramos novos e dizíamos asneiras, faziamo-lo no sítio certo e com as pessoas certas. Dizê-las, porém, seja em que sítio for e à frente de quem for, já revela um enorme défice de competências sociais e morais. A culpa não é deles, eu sei. Mas eu também não disse que era, limitei-me apenas a constatar um facto.

Bom regresso à pátria!

JR

jl disse...

Começou por ser uma prática “normalíssima” no Norte (Guimarães, Fafe… etc) de adultos e jovens, crianças ou adolescentes, dos 3 aos 90 anos, de qualquer estrato social, na rua, no café, na sacristia, em casa, na escola e na retrosaria, onde quer que se encontrassem…
Agora passa-se o mesmo cá em baixo (onde, antes, os mouros eram mais contidos…).
Por falar no JCM, não me parece que entre em contradição de termos se disser que, conquanto a degradação da linguagem (da capacidade de comunicar e exprimir) consista no reflexo da “degradação da nossa natureza”, se mantém verdadeira a ilação de que “a precisão da linguagem é a outra face da precisão do pensamento”…

Estarei errado?
(Vocês é que são os filósofos)

addiragram disse...

Bem respondido! Essa falha ao nível das competências sociais e morais é, a meu ver, o resultado de uma "evolução"educativa em que a diferença de gerações é anulada e, com isso, não se organiza no sujeito um super-eu organizador. Se a isso acrescentarmos um déficit, cada fez mais notório, de uma função simbólica, as palavras tornam-se quase "objectos",esvaziadas de toda a sua função metaforizante...