10 abril, 2009

MONÓLOGOS DO FUTURO


O MEC, apesar dos litros e litros e litros de álcool que lhe deram banho ao cérebro durante anos, continua em grande forma e com mais lucidez na cabeça do que muito boa gente que eu conheço.

No Público de hoje escreveu um delicioso artigo sobre a diferença de impacto da comunicação social clássica e a comunicação social actual, na vida quotidiana das pessoas. Antigamente, havia dois canais de televisão e quatro jornais. Toda a gente partilhava a mesma informação que funcionava como um telhado por baixo do qual todos nós estávamos. Daí que ao encontrarmos alguém na rua e perguntássemos: "Viste aquilo ontem no telejornal?", a outra pessoa já sabia do que se estava a falar.

Hoje, o que acontece? Na Internet, cada um descobre e vive nos seus próprios sites. As edições on line dos jornais fazem com que tenhamos acesso a dezenas deles, do mesmo modo que, na televisão, há dezenas de canais que dispersam as pessoas.

Hoje, ao perguntarmos alguém: "Viste aquilo ontem no telejornal", a resposta mais natural será: "Não, não vi".

3 comentários:

marteodora disse...

Tens parcialmente razão.Hoje, ao contrário de há 20 ou 30 anos, em 10 segundos fazes copy/past de um link, teclas "enter" e aí vai ele, para o teu grupo de amigos,colegas, bloggers, etc..
Hoje, eu estou aqui e tu aí e temos a possibilidade de comunicar por voz, escrita, imagens, música, emotions...
Podem ser monólogos, mas...há sempre alguém do outro lado!

jl disse...

É como dizem o JR e o MEC!
Gostei tanto da crónica de um como do comentário do outro.

Como gostei de outra crónica - agora do JR - noutro periódico. E de entre as farpas, neste, adorei, sobretudo, a do terceiro parágrafo.

Verdade que a propósito de Páscoa e de irmão Sol me lembrou outra "estória" que ficou também hoje, a pairar no éter...

Boa Páscoa aos dois autores deste sítio e para aqueles de quem eles mais gostam...

Abraços

José Ricardo Costa disse...

jl, boa Páscoa também para si e que o irmão Sol o ajude a manter-se em forma...

Marteodora, tens parcialmente razão. O facto de já não existir um cânone uniformizador permite, na verdade, uma maior liberdade individual. Antigamente, as pessoas liam os mesmo escritores, quase sempre legitimados pela Academia, pelo poder ou por uma elite cultural e intelectual. Hoje, pelo contrário, podes descobrir um obscuro mas fantástico escritor neo-zelandês e seres a única pessoa em Portugal a conhecê-lo. Ora, isto é bom.

O problema, a meu ver, e era que isso que o MEC, a brincar queria dizer está na fragmentação da sociedade. Eu digo "fragmentação" porque tenho aqui à minha frente um livro que diz o seguinte : "Uma sociedade fragmentada é aquela cujos membros têm mais dificuldade em identificar-se com a sua sociedade política como comunidade. Esta falta de identificação pode reflectir uma visão atomista, de acordo com a qual as pessoas acabam por olhar para a sociedade em termos puramente instrumentais. Mas também promove o atomismo porque a ausência de uma acção eficaz comum faz com que as pessoas se virem para si mesmas." , Charles Taylor, La Ética de la Autenticidad.

Claro que há sempre alguém do outro lado, o tal grupo de amigos, colegas ou bloggers. Mas são círculos e círculos cada um fechado sobre si próprio. Imagino que eu descubro um fotógrafo fantástico num site búlgaro. Envio o link para 10 pessoas. Ora, se visse um artigo sobre ele num dos quatro jornais de há 30 anos,ou num dos dois canais de tv que havia há 30 anos, toda a gente o conhecia. Então se formos para o campo da informação ainda é mais gritante. Andamos todos a lidar com informações diferentes o que, até em termos políticos, pode ter as suas consequências.

JR