22 abril, 2009

josericardocosta.60@gmail.com


Eis a notícia que eu mais temia.

Eu acredito que, para alguém que não é professor nem conhece a escola actual, esta minha reacção possa ser chocante. Na verdade, como pode ser possível criticar o facto de permitir às crianças e jovens estarem 12 anos na escola em vez de 9?


O princípio é bondoso. O problema não é esse. O problema é que se vai formalizar no ensino secundário o que, contrariamente ao que se passa no ensino básico, por enquanto, é apenas informal: o facilitismo, o ensino de nulidades, a mentira, a degradação do ensino, a desvalorização científica dos professores transformados em meros auxiliares, animadores, dinamizadores, enfim, a escola pública transformada no ATL do sr Albino, se possível, aberta até às 8 da noite para que a escola consiga o mais possível a sua função socializadora e educadora.

Se aparecer alguém por este blogue que me queira dar emprego, poderá contactar-me através do meu e-mail.

5 comentários:

addiragram disse...

Acabarão o 12º ano sem conhecer os reis de Portugal,a orografia da terra onde vivem, as cidades e países...e o que mais se verá.
Continuamos a viver na terra -do -faz -de -conta.

José Borges disse...

Concordo inteiramente consigo. Perder-se-á o já pouco rigor e qualidade que existem no ensino secundário na escola pública.

Pessoalmente sou grande defensor dessa escola pública, integradora, e por isso mesmo concordo consigo, é que a escola só é verdadeiramente integradora e igual se tiver um elevado nível de exigência, que obrigatoriamente se perderá.

A partir do momento em que essa medida for aprovada e aplicada, os casos de agressão a professores e aumento de criminalidade dentro das escolas aumentará, porque será também um lugar comum nas escolas do ensino secundário.

Ah! Atenção, já não é altura de se arrepender não ter ido para Direito...

Alice N. disse...

Aplaudiria esta medida se não estivesse igualmente convencida que ela significa o aprofundamento do facilitismo, até ao 12.º ano.(O facilitismo já existe informalmente, como o próprio José Ricardo refere no seu texto.)

Quanto à tentativa de transformar os professores em "meros auxiliares, animadores, dinamizadores", cuja missão é tão digna como a nossa, percebo o que quer dizer, mas considero que cabe a cada professor deixar bem claro o que são as suas funções e competências. Eu dou aulas ao 3.º ciclo há bastante tempo e recuso terminantemente esse papel e é assim com muitos dos meus colegas. Preparei-me e pagam-me para ensinar e é isso que faço - o que já exige bastante de mim. Parece-me que o José Ricardo tem uma visão um pouco distorcida do que se passa nas escolas básicas a esse nível, mas dou-lhe inteira razão num aspecto: exigir trabalho, esforço e dedicação aos alunos é cada vez mais difícil e muitos alunos passam para o ensino secundário sem conhecimentos mínimos. Ser razoavelmente exigente com os alunos, hoje, é quase um acto de coragem e resistência (mas a guilhotina agirá prontamente, a partir do próximo ano, quando os resultados dos alunos condicionarem a avaliação dos professores).

Continuo a achar que nove anos de escolaridade obrigatória, no tempos actuais e com as exigências do mundo moderno, é muito pouco. Concordo com doze anos de escolaridade obrigatória, mas com um ensino de qualidade e, sobretudo, uma oferta diversificada e adaptada ao perfil dos alunos (refiro-me, por exemplo, a um ensino profissional de qualidade e não à fantochada que temos actualmente nas escolas). Mas eu tenho a mania de ser sonhadora...

Alice

P.S. - Espero que não tenha nenhuma oferta de emprego. Pessoas como o José Ricardo fazem muita falta nas escolas. :))

Ana. disse...

Não diga isso nem a brincar.

Ainda hoje falo em si como o melhor professor que tive, da primária à faculdade.
E olhe que me "passaram" umas quantas dezenas "pelas mãos".

Acredito que a paixão pelo ensino não seja a mesma de outros tempos, mas acredito também que o que me transmitiu veio de dentro de si e não era apenas uma prerrogativa de um sistema de ensino diferente.

Ainda hoje, ao ler os seus textos me sinto uma eterna aluna!

Não diga isso nem a brincar!
;)

jl disse...

Também li a notícia, e assim pensei: mais do mesmo, está visto...
C'os skills destes craques... não será de esperar outra coisa.

O mau professor que o JR está farto de provar que é, até aqui neste sítio está demonstrado. Nem é preciso procurar muitas postagens acima para o constatar...