20 abril, 2009

HONRA PERDIDA


O Príncipe, cap. XIX, De contemptu et odio fugiendo (Como fugir do desprezo e do ódio):

"(...) quero discorrer brevemente, com base nesta ideia geral: que o príncipe pense em fugir àquelas coisas que o fazem odioso ou desprezível; e todas as vezes que fugir a isto terá feito a sua parte e não encontrará nas outras más famas perigo algum. O que sobretudo o faz odioso, como eu disse, é o ser rapace e usurpador dos bens e das mulheres dos súbditos, coisas de que se deve abster. E todas as vezes que ao comum dos homens não se tira nem honra, nem bens, eles vivem contentes, e só se tem de combater com a ambição dos poucos, a qual se refreia de muitos modos e com facilidade."

Que o engenheiro tenha tirado bens a muitos portugueses e beneficiado uns poucos, é coisa vergonhosa mas que, com a retórica económica e financeira da crise, do défice, da recuperação, ainda podemos engolir. Mas perdeu claramente a partir do momento em que brincou com a honra das pessoas. Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com os professores. O engenheiro e seus lacaios humilharam, desprezaram, cuspiram na cara dos professores. Para quê? Poderia ter roubado como, de facto, roubou. Mas poderia ter roubado sem ter roubado a honra.

Acredito que, nalgumas coisas, tenha aprendido com o Príncipe, texto que, segundo Bertrand Russel, é um manual para gangsters. Mas não aprendeu tudo o que devia ter aprendido. A engenharia, sobretudo tirada na Independente, não chega para ensinar tudo a um político.

2 comentários:

Nefertiti disse...

"Nunca subestimar os mais fracos" in Príncipe, Maquiavel (...eu cá nunca pensei que uma pessoa como o Sr. Sócrates chegasse a 1º Ministro!)

Alice N. disse...

Subscrevo inteiramente. Jamais perdoarei a esta equipa (e ao P.S.) tudo aquilo que destruiu, quer a nível pessoal, quer a nível geral. Têm, por isso, o meu mais profundo desprezo.