08 abril, 2009

GUERRA E PAZ - XIII


No capítulo 6 do livro 2 há um momento "Adoro o cheiro do napalm pela manhã".

O combate está prestes a iniciar. Durante os preparativos, os oficiais, lá no alto, observam o terreno com o óculo de alcance. E o que fazem eles? Comem uns pastelinhos, bebem Doppelkümmel, uma aguardente alemã e conversam sobre bagatelas que nada têm a ver com a batalha. Por exemplo, sobre um mosteiro que se vê ao longe e no qual, ao que parece, há umas freiras interessantes...

Há mesmo momentos hilariantes:

" A seguir ouviu-se um tiro longínquo e viu-se as nossas tropas a apressarem-se em direcção da ponte. Nesvítski, ofegante, levantou-se e aproximou-se, com um sorriso, do general.
- Vossa excelência deseja provar o nosso petisco?-perguntou Nesvítski."

Este capítulo é um grande exercício de ironia. Resta saber se Tolstói está a quer dizer-nos que a guerra é uma coisa séria mas levada a brincar ou é uma brincadeira levada a sério. Eu acho que sei a resposta.

1 comentário:

José Trincão Marques disse...

Se Tolstói não era objector de consciência, é evidente que considera a guerra uma coisa séria levada a brincar. E nem acho depreciativo que as coisas sérias sejam levadas a brincar.