07 março, 2009

PRESENTE ENVENENADO


Estive ontem a ouvir, na Antena 2, uma entrevista com Álvaro Salazar, compositor português de música contemporânea, cujas referências principais são Webern, Ligeti e Boulez. Há uns anos decidiu dedicar uma composição a dois netos, ainda crianças. Entretanto, já com a gravação, leva os netinhos para a sala a fim de ouvirem a música que lhes era dedicada, momento, por isso, de alguma intensidade sentimental. Mal o avô inicia a audição os netos abalaram a fugir com medo do que estavam a ouvir.

Havendo em quase todas as histórias uma lição de moral, esta não é excepcional: nem sempre o que é dado é idêntico ao que é recebido.

1 comentário:

addiragram disse...

Também ouvi a entrevista. A composição será, certamente, ouvida de outra maneira daqui a alguns anos.
O grau de abstracção que a composição implica não é, de momento, acessível aos garotos.