04 março, 2009

GUERRA E PAZ

Batalha de Borodino

Quando, com 13 ou 14 anos, li os Miseráveis, percebi que já não era uma criança. Os Miseráveis não é literatura infantil. Nesse sentido, o livro foi uma espécie de ritual de passagem.

Eu sempre quis ler o Guerra e Paz mas também fui sempre adiando a sua leitura. Dizia sempre que era para ler na tranquilidade da velhice com uma lareira à frente e um gato ao colo. Ou seja, do mesmo modo que ler os Miseráveis representaria a entrada na adolescência, Guerra e Paz seria a entrada na plena maturidade.

Só que há um belíssimo ensaio de Berlin dedicado a Tolstoi chamado O Ouriço e a Raposa que, não sendo exclusivamente sobre Tolstoi, tem praticamente o autor russo como centro e, principalmente, a sua Opus Magnum: Guerra e Paz. Alterei, por isso, os meus planos e decidi ler ainda antes de chegar à reforma. Acabei de receber os dois primeiros volumes, as primeiras 800 páginas. Vou começar hoje. Não há como fugir disto: já sou mesmo um homenzinho.

6 comentários:

pmramires disse...

Epá como é que adivinhou? Está em 3º no Evereste erguido sobre a mesinha de cabeceira. Se bem que tal posição não garanta nada. Basicamente, ainda não o li porque tenho medo dele. É muito grande e muito pesado e, por norma, tenho medo de coisas grandes e pesadas; principalmente quando tenho que andar com elas na mochila.
Por acaso, nunca tive essa ideia de apenas ler o 'Guerra e Paz' quando fosse velhote. Mas, como não pode deixar de ser, não se pode ter tudo e, por exemplo, não só nunca li uma linhinha de 'Os Miseráveis', como nunca o tive na mão; e do Vítor Hugo só li um livrinho (mesmo livrinho) de poemas.

Ega disse...

É demasiado arriscado deixar uma obra destas para mais tarde.

Aliás, nenhum clássico pode ser deixado para mais tarde, sob pena de perdermos a possibilidade de o lermos. E isso é imperdoável.

Abraço e boa leitura.

P.S.: espero que tenha um bloco de notas à mão...

addiragram disse...

Boa! Li-a ainda em casa dos meus pais,lá pelos 17,18 anos. Mas acho que, se tivesse ...tempo, leria de novo.

José Borges disse...

Engraçado, aproveitei as férias do Carnaval para ler o «Guerra e Paz», claro que não fiz mais nada. Foi estranho nos dias seguintes a ter terminado a obra não ter mais notícias do extraordinário Pierre, por exemplo.

Concordo com o Ega, os clássicos são de leitura urgente, embora, exceptuando raros casos de grande compreensão precoce, seja como o direito de voto: a sua leitura só deve aconter depois de uma certa maturidade intelectual. Eu arrisquei, correu bem. De qualquer modo estamos a falar de um russo, e não há nada como os russos na literatura.

Do Vitor Hugo li em pequeno «O último dia de um condenado» e foi muito importante para mim, mas não voltei a pegar no autor. Tempus fugit...

josealbergaria disse...

As opções de leitura e do tempo de as fazer são a coisa mais desconcertante, que conheço.
Faz tempos, li uma entrevista em que o grande escritor mexicano Carlos Fuentes, homem entrado na idade,dizia que "nunca tinha lido o Quixote". Não quiz acreditar, mas o homem explicou-se...Cada um explica as suas leituras, o tempo em que as fez e, pode acontecer, anuncia quando as irá fazer.
Na última LER vem uma entrevista, sobre este tema, do cartoonista Luís Afonso,deveras...
"desconcertante".
JA

jl disse...

Alguém falou em clássicos... e com razão.

Para ler quando fosse mais crescido?
Isso é para reler, que é o que estou a pensar fazer daqui a pouco, que já cheguei a essa fase.

Mas devo confessar que, salvo raras excepções, de livros grandes só não me causam qualquer espécie de apreensão as enciclopédias.