18 março, 2009

ARISTOCRACIA PERDIDA


Hoje, fui com os meus alunos à Gulbenkian. Num dos salões, com arte persa, uma aluna começou a percorrer um dos tapetes expostos no chão como se atravessasse o corredor lá de casa a caminho da cozinha. Advertida, defendeu-se, alegando que não reconheceu a sua importância e valor, até porque a avó tinha um igual lá em casa. Acreditasse eu na reencarnação, e defenderia a tese de que a moça teria sido uma aristocrata noutra existência.

3 comentários:

jl disse...

O que a pequena terá querido dizer é que na loja dos 300 (já não há? Não faz mal: então na loja dos chineses) se encontra QUASE igualzinho, e a pataco...
A miúda não conhece é a extensão, em anos-luz, do QUASE...

Alice N. disse...

Um tapete "quase igualzinho"... Será, pois, um tapete tipo persa, como os há tipo Arraiolos, "made in China". Eu detesto a expressão "tipo" e também não gosto nada de imitações, mas creio que diz muito sobre a mentalidade reinante: para muitos, parecer é mais importante que ser...

Quanto ao desconhecimento da aluna, não me admira. A História e a Arte são, para muitos jovens, realidades muito vagas e abstractas. Além disso, os jovens vão muito pouco aos museus e não são eles os culpados.

addiragram disse...

Aqui faltou Quase tudo. O retrato da falência cultural da nossa Educação. Quando entramos num Museu lá fora vemos os pequenitos, levados pelas escolas, a desenharem, a pintarem, a olharem...Uma actividade que se torna natural. Vemos também uma elevada frequência de pais com crianças.....Aqui, tudo começa tardiamente e, esporadicamente.