11 fevereiro, 2009

UM CATÓLICO FILÓSOFO

Eu não venho agora aqui falar sobre os casamentos homossexuais. O que agora aqui me interessa é a posição da igreja relativamente a tudo o que tenha que ver com questões de moral sexual, que inclui, naturalmente, o modo como o discurso eclesiástico anatematiza a homossexualidade e, por inerência, o casamento homossexual. Por causa disso lembrei-me das seguintes palavras de Paul Ricoeur, o católico Paul Ricoeur:

"A respeito da tomada de posição do Vaticano no domínio da moral sexual, a contracepção e o preservativo, estou em total desacordo com tais atitudes. Penso que uma concepção religiosa, na ocorrência cristã, não implica de forma dedutiva uma resposta unívoca aos problemas respeitantes à saúde pública, nem à maneira responsável de conduzir a vida privada, pessoal e familiar. Para além dos princípios gerais da ética relativos ao respeito das pessoas, à compaixão, ao amor, há lugar para decisões concretas em situações de incerteza, para uma sabedoria prática aberta a controvérsias que a discussão pública deve enquadrar com regras mínimas de consenso. Por outras palavras, o que critico a estas encíclicas é a recusa do julgamento de sabedoria que é do foro íntimo de cada um." (O que nos Faz Pensar?)

Ser católico ou ser um católico filósofo, está bem longe de poder ser a mesma coisa.

2 comentários:

Anónimo disse...

A igreja romana não dá grande valor nem se preocupa com o pensamento dos seus fiéis...
Os fiéis, mesmo que filósofos, não provocam grandes "dores de cabeça" à hierarquia.
Os teólogos, sim, esses podem trazer-lhes alguns amargos de boca...
Não será isto?

jl

Anónimo disse...

Uma pequena correcção, mas que até pode ser grande.
Paul Ricoeur não era católico (no sentido vulgar que se dá à palavra), mas protestante, da Reforma.
Agora que foi um dos maiores filósofos (provavelmente, até o maior) franceses do século XX...sem sombra de dúvidas.
José Albergaria