05 fevereiro, 2009

O GRANDE INQUISIDOR

É um momento ímpar na história da Literatura. Está nos Irmãos Karamazov. Pode não se ler o livro na íntegra e ler este episódio isoladamente, visto possuir uma certa autonomia relativamente à obra, um pouco como a fabulosa Novela do Curioso Impertinente, no D. Quixote.


Ivan conversa com o seu irmão Aliocha e conta-lhe um sonho. Passa-se no século XVI, em Sevilha, durante a Inquisição, "quando diariamente se acendiam fogueiras à glória de Deus". Entretanto, surge um homem e, espontaneamente toda a gente o reconhece. O povo segue-o enquanto ele caminha com um "sorriso compassivo". Dos seus olhos "irradia luz". Todos lhe estendem os braços. As crianças atiram-lhe flores, canta-se: "Hosana".


Até que chega o Grande Inquisidor que pára com tudo aquilo. Ora bem, quem é aquele homem? O próprio Jesus Cristo que resolveu voltar à Terra. O discurso do Grande Inquisidor perante Jesus Cristo é absolutamente vertiginoso. Lá pelo meio, pergunta-lhe: "Porque vieste perturbar-nos"? Depois, manda queimá-lo na fogueira da Inquisição. "- Pois se alguém já mereceu a fogueira, esse alguém, és tu. Amanhã, queimar-te-ei. Dixi".


Sublime.

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