16 fevereiro, 2009

NOTÍCIAS DO PARAÍSO


Lembrei-me disto porque no Guardian de hoje vem um conjunto de fotografias sobre o Querído Líder.
Quando eu andava na faculdade, tive um professor de Filosofia Social e Política, militante do PCP, que foi à Coreia do Norte integrado numa delegação partidária, certamente para visitar o partido-irmão. Na primeira aula que tivemos depois do seu regresso, grande parte daquela serviu para ele nos provar, deslumbrado, que, afinal, sempre existia o paraíso na terra. Para falar no bem-estar do povo, na alegria do povo, nas condições materiais do povo. E falava, falava, falava, de sorriso nos lábios, como se estivesse a ver à frente dos olhos o que estava a descrever. Eu, jovem estudante, perante aquilo, já só me imaginava a viver na Coreia do Norte, a trabalhar na Coreia do Norte, a casar com uma norte-coreana e a ver-me anos depois com uma ninhada de crianças de olhos em bico, felizes por viverem no paraíso.

Eu entendo que muitos comunistas que nunca tenham ido para lá de Badajoz, pudessem imaginar as distopias socialistas como formas superiores de realização social e política. O que já não deixa de ser estranho é o modo como alguém que lê livros, viaja pelo mundo e com um Q.I. acima de 100, se deixa afogar em crenças obscuras e irracionais deduções.
Como se vê, a ideologia cega. Mas cega mesmo. É por isso que eu sou cada vez mais um céptico. Tenho as minhas crenças mas, se for preciso, também sou capaz de cuspir nas caras das minhas crenças.

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