17 fevereiro, 2009

LIBERDADE E IGUALDADE


Este post do Jorge levou-me a pensar numa das razões pelas quais Maquiavel é um dos pensadores que mais influenciou Isaiah Berlin. Por mostrar que dois valores positivos não são necessariamente compatíveis entre si. Por exemplo, a forte República Romana construiu-se à custa de valores como a coragem, o orgulho, o patriotismo. Porém, se pensarmos no cristianismo, quais serão as suas principais virtudes? O amor, o altruísmo, a humildade, a aceitação do sofrimento.

O cristianismo jamais seria o que foi com os valores que ergueram a República, esta jamais teria chegado onde chegou com os valores do cristianismo. Quais destes valores serão os melhores? Nenhuns. São o que são no respectivo contexto, demasiado incompatíveis para se poderem associar e competirem dentro de uma mesma escala de valores.

Ora, de acordo com Berlin, será também isso que acontece com a liberdade e a igualdade. Ambos, desejáveis valores positivos. Mas a partir do momento em que a igualdade é imposta por decreto-lei e pelo poder das armas, a liberdade será inevitavelmente sacrificada.

5 comentários:

Aqueduto Livre disse...

Meu caro,
Compagine este seu exercício com um outro, que eu gosto muito.

Noé, quando embarcou na Arca, muniu-se de tudo o que sabemos, mas ainda levou três principios, ou valores, ou regras, ou mandamentos:
1/Amor fraternal;
2/Solidariedade;
3/A Verdade.
Estes são os tais principios noaquitas que o Presbitero Anderson, das Constituições Maçónicas modertnas recupera, pressupondo que o primeiro maçon da história terá sido, precisamente, Noé, possuidor dos conhecimentos da arte real da construção.
Eu aprecio os autores que referiu, mas gosto muito de me identificar com a trilogia noaquita.
José Albergaria

José Ricardo Costa disse...

Caro J.A.

Ao amor fraternal e à solidariedade ainda consigo chegar. Quando entramos no campo da "verdade" a coisa começa a complicar. É um conceito demasiado vasto para ser objectivamente verdadeiro, a não ser num conjunto mínimo de valores consensuais. Mais do que isso, é estar a brincar com o fogo.

JR

Aqueduto Livre disse...

Caro José Ricardo Costa,
Esta verdade noaquita não remete para essa categoria encacaracolada, que é a VERDADE, como absoluto, que se pode, sempre, alcançar...ou não.
Estamos a falar da VERDADE - como ÉTICA.
O francês Marcel Conche,nos seus magníficos 86 anos, filósofo, cultor dos gregos, apaixonado pelos antesócraticos (Heraclito, Anaximandro e Parménides... nomeadamente)quando, faz agora dois meses, lhe perguntaram - qual a sua lição de sageza...respondeu:
"Qual é o valor supremo? Para mim é a VERDADE. Pode ser que a VERDADE faça sofrer, mas é preciso, sempre, ficar do lado dela. É a minha ÈTICA".
Creio que o mandamento noaquita remete para a VERDADE como ÉTICA...

J.A.

José Ricardo Costa disse...

Certíssimo. Para isso, podemos seguir o caminho de Kant: as três fórmulas do imperativo categórico. Ou a liberdade negativa, de Berlin, ou a posição inicial, de Rawls. A Filosofia, felizmente, dá-nos muitas pistas para podermos gerir o problema da verdade, em ética, de uma forma consensual.

JR

Cátia disse...

Olá Professor,
É num dia como hoje, em que amanha tenho um exame em que envolve muitos livros de filosofia (que deviam ter sido estudados) que lamento não ter tomado mais atenção ás suas aulas. Não me interprete mal, eu tomei alguma atenção, mas afinal não foi a suficiente. :)