12 fevereiro, 2009

IMPERDOÁEL

Tive um início de dia horrível. De manhã, antes de ir trabalhar, passei aqui pela minha caixa do correio e dei com um mail de um amigo no qual me esclarece que Ricoeur não era católico mas protestante. Isso, por causa do post já aqui abaixo deste, onde apresento o filósofo francês como católico.

Ia ficando em estado de choque. É um erro grave e grosseiro. Eu poderia alegar que é um erro biográfico e não um erro técnico, desdramatizando assim a questão. Mas não. Apesar de biográfico não deixa de ser igualmente um erro técnico pois uma coisa seria eu invocar o seu prato ou cor favorita, ou o dia em que nasceu, outra será uma dimensão pessoal do homem Ricoeur que não pode ser desligada do filósofo Ricoeur. Quero, por isso, pedir desculpa por este erro, repito, grave e grosseiro.

No entanto, o meu erro não deixa de ter o seu interesse. Eu sou ateu à raiz dos cabelos e alérgico a qualquer forma de sentimento religioso. Mas costumo dizer que, se fosse cristão, seria sempre protestante e nunca católico.

Eu não digo que o catolicismo não tenha dado origem a coisas interessantes ou engraçadas. Por exemplo, o barroco, as festas de Santo António, os pastorinhos ou o padre Borga. Mas considero o catolicismo, em quase tudo, uma religião infantil, supersticiosa, retrógrada, cheia de irracionalidades, e ainda com a agravante de ser tudo legimitado por um poder imperial de sotainas a partir de Roma.

Ora, quando ontem elogiei a posição de Ricoeur, enquanto católico, perante questões de moral sexual, devia ter logo pensado que isso seria optimismo a mais da minha parte. Deveria ter pensado que seria demasiada ousadia vinda de um católico, fazendo mais sentido vinda de um protestante, para quem a consciência individual tem bem mais importância do que as bulas papais ou as tradições folclóricas.

Imperdoável.

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