20 fevereiro, 2009

À ATENÇÃO DOS HISTORIADORES

O Positivismo do século XIX, que via na ciência a chave para resolver todos os problemas da humanidade, chegou a atingir momentos de grandioso delírio. Veja-se o caso de Henry Thomas Buckle, historiador inglês. O seu grande sonho era poder transformar a História numa ciência tão rigorosa como as ciências naturais. Descobrir na história da humanidade as inexoráveis leis graças às quais outros cientistas julgam poder olhar para a natureza como uma realidade sem mistérios.

Ora, qual é então a sua explicação para o facto de a História, até então, ainda não o ter conseguido? Tal dever-se-ia ao facto de àquela não se terem dedicado homens tão inteligentes como os que se dedicaram a outras ciências. Dizia ele que, se homens inteligentes como Galileu ou Newton se tivessem dedicado à ciência histórica com o mesmo rigor e empenho com que se dedicaram à Física, certamente que a teriam elevado a um patamar superior. Daí acreditar que, num futuro próximo, graças à dedicação de homens inteligentes à ciência histórica (provavelmente a começar por ele...) venha a ser “tão raro encontrar um historiador que negue a regularidade invariável do mundo moral como raro é agora encontrar um filósofo que negue a regularidade do mundo material”.

Ora, pelo que me é dado aperceber, parece-me que a História continua muito longe de ciências como a Biologia ou a Física. Daé eu achar que é já tempo de colocar uns cartazes nas entradas das faculdades de letras com as seguintes palavras: "HISTORIADORES INTELIGENTES - PRECISAM-SE".
No que diz respeito à Filosofia, certamente que nem valerá a pena afixar cartazes.

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