27 fevereiro, 2009

12 MEDIDAS PARA SALVAR A ESCOLA PÚBLICA


1. Ter, pela primeira vez, um ministro da educação que saiba, carnalmente, o que é uma escola, e não apenas através de estudos, teses, seminários, relatórios e assessores tresloucados.

2. Valorizar de novo a memorização na escola primária. Por exemplo, ser de novo obrigado a decorar a tabuada, os reis de Portugal e respectivos cognomes, datas importantes, assim como poesias inteiras em ritmo cantabile. Foi assim que gerações inteiras, que venceram no mundo da ciência, da política, das artes e das letras, tiveram a sua educação básica e, pelos vistos, deu resultado.

3. Tornar o Latim disciplina obrigatória a partir do 7º ano substituindo disciplinas inúteis e embrutecedoras e infectadas pelo eduquês, como Estudo Acompanhado, Área de projecto ou Formação Cívica. O Latim é uma disciplina fundamental para desenvolver as capacidades mnésicas e a ginástica mental, para além de servir de base a uma posterior formação erudita.

4. As salas de aula deverão voltar a ter um estrado. O ensino deve estar centrado no professor e não no aluno.

5. Existência de numerus clausus no 9ºano. Apenas alunos com um determinado percurso escolar podem ingressar em cursos que darão acesso ao ensino superior.

6. Separação, clara e inequívoca, entre Cursos Gerais e Tecnológicos. Nos Cursos Gerais, dever-se-á aumentar drasticamente o grau de exigência. Os Cursos Tecnológicos serão radicalmente práticos.

7. Revalorização das aulas expositivas.

8. Não bastará exigir o 9.º ano ou o 12.º ano para poder ingressar em certas profissões. De ora avante, passará a ser exigida uma média mínima. Por exemplo, para ser admitido no sector terciário (escritório, secretaria, banco, finanças, tribunal) será exigida uma média de 14 valores no ensino secundário.

9. Exames nacionais em todas as mudanças de ciclo: 4.ª classe, 6.º ano, 9.º ano, 12.º ano.

10. Sempre que um aluno revele atitudes de indisciplina na sala de aula, o director de turma fará uma participação ao Encarregado de Educação, o qual será obrigado a pagar à escola uma multa de 10 euros, por danos morais. O dinheiro será utilizado para a compra de material escolar. Quando a indisciplina dos alunos começar a doer nos bolsos dos pais estes ir-se-ão finalmente lembrar que a educação começa em casa e não na escola.

11. Os alunos que não revelem qualquer tipo de empenho relativamente ao seu percurso escolar serão obrigados a abandonar a escola visto tornar-se um percurso absolutamente inútil. Tal não significa, porém, que a escola abandone o aluno. Este terá oportunidade de ingressar no mercado de trabalho onde irá ter a possibilidade de manifestar as suas capacidades, sendo acompanhado por um técnico de assistência social que fará a ligação entre a escola e a empresa.

12. Os professores serão obrigados, ciclicamente, a regressar a um estabelecimento do ensino superior, a fim de actualizar permanentemente a sua formação científica e não perderem rotinas intelectuais consideradas fundamentais na sua profissão. A formação de um professor é fundamentalmente científica e os professores jamais deverão esquecer tal ideia.

In Jornal Torrejano, 27-2-09

9 comentários:

José Borges disse...

Bem...

Assim à primeira vista concordo consigo, aliás, sempre me senti inconformado por apesar de sempre ter pedido latim, as escolas, por insuficiente número de interessados, nunca terem disponibilizado a disciplina.

As primeiras medidas parecem obedecer a uma visão romântica do que deve ser a escola pública (romântica sem ser conservadora). As últimas já me parecem mais funcionais e pragmáticas.

Aliás, num texto que escrevi há uns tempos (http://asconfusoes.blogspot.com/2008/10/uma-questo-lingustica.html passo a publicidade) defendia mesmo a mudança (oo o regresso) do nome de Ministério da Educação para Ministério da Instrucção Pública, isto porque, como sabemos, as questões semânticas são da máxima importância.

Marteodora disse...

Concordo, no geral. Subscrevo e aplaudo as medidas 10 e 12. Fundamentais!
Proponho uma moção! :D
Hei, há alguém no ME a ler isto?

Ega disse...

Caro José Ricardo Costa,

Defender estas teses, nos dias de hoje, constitui uma heresia.

E como herético convicto, apresento-lhe os meus cumprimentos.

José Trincão Marques disse...

Concordo, sinceramente, no essencial com estas 12 medidas para salvar a Escola Pública, no que diz respeito ao ensino básico e secundário.

São necessárias mais 12 medidas de idêntico teor e efeito para salvar o Ensino Superior (Público e Privado), bem como ainda 12 medidas de igual calibre para salvar a competência e a dignidade no exercício de várias profissões.

jl disse...

Acabo de ler no original para deixar aqui o meu "bem haja" e o meu "bravo".
Estou 99% de acordo com o JR.
(O um por cento não respeita a matéria muito relevante...)

Confirma-se, assim, que certos conservadorismos não carecem de qualquer terapêutica.

pmramires disse...

Concordo e gostei de cada ponto. Também eu, estudante, gostava de, apesar das origens, ter acesso a um ensino decente, só possível com regras, disciplina, trabalho e trabalho. O problema é que esse ensino em Portugal, pelo que conheço, era impossível ser implementado.
E impossível porquê?
Para mim, por exemplo, não existiu porque 90% dos professores tinham uma profundidade intelectual quase nula. Dos professores que tive, e com excepção de três ou quatro (curiosamente dois deles de filosofia), se essa escola que idealiza fosse implementada de hoje para amanhã, não eram de todo capazes de transmitir o nível de conhecimentos adequados porque simplesmente não o têm.
Os bons professores que tive puseram toda a gente a trabalhar no duro (e em silêncio) e um deles (filosofia 11º ano) chegou mesmo a conseguir pôr colegas meus a ler, pela primeira vez, um livro até ao fim.
Infelizmente, e caso não tenha essa percepção (mas julgo que tem), o nível intelectual que o senhor(se assim o posso tratar) tem, está anos-luz acima dos professores que encontrei e que conheço.
É claro que pode argumentar que os professores de que falo são 'filhos' desta mesma escola - e porventura com razão; mas só desejava alertar-lhe para este pequenino pormenor.
Quanto ao resto: continuação de excelentes posts, como é habitual.

José Ricardo Costa disse...

Caro pmramires,

Entendo o que quer dizer relativamente aos professores. Mas estes também só vão até onde quem lhes paga quer. Se não lhes pedirem muito também não terão de dar muito.

JR

pmramires disse...

Vi ali uma pequena gralha no meu texto. Não é "era impossível ser implementado" mas sim "é impossível", claro.

Sim, tem razão. Com os incentivos que são dados aos professores, é 'natural' que muitas das vezes, a frustração supere a obrigação. Aliás, tem razão em tudo. Basicamente, não se podia pôr em bicos de pés, de um qualquer ponto de vista, em relação aos seus colegas. Eu é que...pronto, quis dizer-lhe aquilo.

cumprimentos

Maria José disse...

Os pontos 1,2,6,9,10,11 e 12 são pertinentes. Os pontos 3, 4, 5, 7 e 8 são um retrocesso.