09 janeiro, 2009

SOU UMA INVEJOSA

Há um blogue, Controversa Maresia, cuja autora é uma advogada de Lisboa, chamada Sofia Vieira, blogue esse que não tenho, sei lá porquê, o hábito de frequentar habitualmente. Já constatei que é um erro. Perco coisas destas. Deuses, como eu gostaria de ter escrito isto!
Terça-feira, 25 de Novembro de 2008
o prusidente da junta

Não há nada mais terapêutico do que um blogue: poder destilar publicamente o fel que se sente por determinada personagem pública e escrever-lhe o nome em minúsculas, apoucando-o de forma mesquinha, é um bálsamo para a alma. Se bem que eu não detesto especialmente muita gente, apenas uns dois ou três; quatro ou cinco, vá. Um deles é cavaco silva. Não quero exagerar, mas por vezes parece-me trágico isto de termos um parolo do Poço de Boliqueime (perdão!, da Fonte de Boliqueime) no cargo mais alto da nação. Não duvido que cavaco seja um homem íntegro e justo e bom mas, francamente, para a Presidência da República isso não interessa nada. O que interessa é ter pinta, estilo, saber estar, falar e ficar calado quando é preciso. Ora, este presidente, depois de ter sido um activo primeiro-ministro, tornou-se naquilo a que, em Direito, chamamos de inutilidade superveniente da lide: não tem qualquer prestação para a nação. E depois, é saloio: muito saloio. E a saloiíce não se manifesta apenas nas dificuldades de dicção ou nas saias travadas da sua maria; manifesta-se nas pequenas coisas (ser parolo é basicamente ter um espírito pequenito e colado ao sítio onde se nasceu), como no ter medo de perder meia dúzia de poderzitos (vd. a história do Estatuto dos Açores), no falar de si na terceira pessoa (o presidente da república tem que… o presidente da república não pode...), e agora nisto de fazer comunicados oficiais armado em virgem ofendida. Porque um PR não se desculpa nem desmente insinuações, pelamordedeus! Um PR deve ficar-se pelo seu pedestal de PR, a encontrar-se com outros chefes de Estado, a comer de boca fechada nos banquetes, a fazer sala com outras primeiras damas e a deixar que os conselheiros o avisem quando o governo mete a pata na poça ao legislar, para que vete a lei e o povo se aperceba da asneira. Um PR deve pairar sobre questiúnculas de natureza venal, e não vir a correr dizer que não teve nada a ver com elas. Não deve, sequer, admitir publicamente que tal hipótese tenha passado pela cabeça do povo, a ponto de ter que vir dissipar dúvidas. Se queria marcar uma posição sobre o regabofe vergonhoso em que se tornou isto dos bancos de investimento em Portugal, então que se pronunciasse sobre o seu acólito e o Conselho de Estado, essa sim, uma questão digna de um PR, que ainda por cima é o chefe da coisa. Mas não: quanto à única questão de Estado (por isso mesmo, digna de ser publicamente esclarecida), disse nada. Patético. E parolo, lá está: mais uma vez, o espírito do campónio honrado de boliqueime faz das suas (salve-se a minha honra e a da minha maria, ai que não queremos que a vizinha zefa coxa pense mal de nós… nem é por nossa causa, ca gente não liga a isso, é pela dignidade do cargo que desempenhamos: o prusidente da junta não pode ver o seu nome arrastado pela lama).
Note-se que, apesar de um bocadito snob, não tenho nada contra campónios honrados (aliás, acho a honradez e a integridade características muito boas e úteis, em especial quando faz trovões); acontece que, salvo raras excepções (como por exemplo aquele rapaz de barbas, o... não, esperem, afinal não conheço nenhuma) não dão bons chefes de Estado.

escrito na areia por Vieira do Mar

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