06 janeiro, 2009

MINUTOS ASSASSINOS

O filósofo norte-americano Thomas Nagel tem um conhecido artigo, na área da filosofia da mente, chamado "Como é ser um Morcego?", no qual analisa o problema da consciência e da sua relação com o cérebro. Neste caso é um morcego que está em jogo precisamente para analisar que tipo de consciência do mundo terá um animal cujo sistema nervoso e estrutura cerebral é bastante diferente da nossa.
Eu lembrei-me disso, agora, ao acabar de abrir a net e, na minha homepage, entre dezenas de links, estar o seguinte: Trânsito - Informação ao minuto". Provavelmente, haverá pessoas que seguem estas informações minuto a minuto, ouvem as actualizações da TSF de meia em meia hora ou os noticiários da SIC-Notícias de hora a hora.
E pensei como poderá ser a consciência de uma pessoa que se vai triturando a si mesma através de minutos assassinos.

1 comentário:

addiragram disse...

Uma óptima questão, mas a hipótese está já desenhada...
Este post fez-me associar como uma outra questão que vi, um dia,investigada experimentalmente, na Tate. O que observamos de um quadro quando o olhamos? Todos observam o mesmo? Quais as zonas mais olhadas de um quadro? Estavam montadas duas câmaras de filmar na periferia dos Girassóis de Van Gogh e de um outro quadro ( cujo autor já não recordo) com uma cena de guerra e a par de cenas de uma relação amorosa. Para lá dos aspectos da observação resultantes das nossas limitações do aparelho ocular era possível verificar que havia conjuntos de pessoas que previligiavam as cenas de guerra e os detalhes mais crus, outros que se centravam, muito mais aspectos das relações amorosas. Não vemos todos o mesmo, de facto. Fazemos, logo à partida, uma escolha, consciente ou inconsciente, mas escolhemos...Isso faz toda a diferença.