22 janeiro, 2009

LUZINHA

Há pessoas assim. No dia em que nascem, (neste caso, há 22 anos) os deuses decidem que vão ser bonitas, inteligentes e talentosas. Esta menina, uma delas, chama-se Ana Filipa Luz.

Quando ela era pequena, eu chamava-lhe Luzinha. Já tinha aquele jeitinho meticuloso e delicado de tratar qualquer assunto como quem faz a coisa mais importante do mundo. Já olhava de frente os objectivos e lá chegava num ápice. Para quem olhasse de longe, poderia parecer que tudo lhe era fácil. Quem andasse mais por perto, sabia quanto de trabalho e de tenacidade por ali havia.

Sai ao pai, o meu muito estimado colega Acácio Horta da Luz.

O presente que aqui lhe trago tem uma história. Se me me não falha a memória foi na Golegã. A Filipa, 13 ou 14 anos, sentada muito direitinha ao piano, tocava um excerto de La Mer de Debussy. Quem já passou por isto, sabe do que falo: eu, sentada na primeira fila, fui tomada por um ataque de tosse desesperante. Se começasse a tossir, estragaria aquele momento. Segurei a garganta, sustive a respiração. Fosse o pianista outro qualquer, e eu teria saído da sala. Lembro-me de transpirar, mas ninguém me ouviu. E ela tocou.


Parabéns, Luzinha.



1 comentário:

Anónimo disse...

Sempre que visito este blog, assaz frequentemente ( penso para mim,com satisfação)... assalta-me aquela, a mesma de sempre, a inconfundível sensação de embaraço e vergonha, de terror por poder estar a induzir pessoas tão importantes na minha vida na opinião de que não me sinto grata, mais do que lisonjeada, tocada, especialmente, pelas palavras que aqui me são dirigidas (sem falar nas tantas outras, ao longo da maior parte da minha vida, trocadas pessoalmente), simplesmente porque não despendi o tempo necessário e suficiente para o demonstrar através de um pequeno comentário.

Venho aqui, portanto,redimir-me, dizer que deve ter sido uma outra peça de Debussy, ou outra qualquer, das que apresentei publicamente... nunca toquei o La Mer, infelizmente... ;) Agradecer todos os encorajamentos, as lições, as palavras sábias e amigas, a simples presença na minha vida. Fico muito contente por saber que também o meu pequeno grande irmão beneficia, hoje, da convivência com tais pessoas :)

Um beijinho muito grande, com saudades, na esperança de que a próxima vez que te der vontade de tossir num recital, seja de novo um meu, para que nos possamos rever!

Luzinha*