31 janeiro, 2009

FILÓSOFA E MÍSTICA


Desta vez, Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia fala-nos de Simone Weil, filósofa e mística. Eu gosto de Simone Weil. Acho mesmo que ela seria a mulher que todo o homem gostaria de ter como melhor amiga e com o colo ideal para nele chorar as mágoas.

Mas tenho as maiores dúvidas sobre a cópula que junta a "filósofa" à "mística". Ok, há filósofos e místicos. O problema está apenas no "e". Não se pode ser filósofo e místico. Pode-se, sim, ser místico com a ilusão de que se é filósofo. Vendo bem, é mais fácil ser cientista e místico do que filósofo e místico. Porquê? Porque o trabalho científico, de natureza experimental e matematizante, permite separar claramente as águas. Assim sendo, pode-se perfeitamente ter êxtases místicos ao domingo à tarde e, no dia seguinte, estar de bata branca no laboratório, observando bactérias num microscópio.

E quanto à Filosofia? Pois, aqui é bem mais complicado. Sendo a filosofia um exercício puramente mental, qualquer grãozinho de areia místico é suficiente para emperrar a engrenagem filosófica. Quando Simone fala de Deus, da santidade ou do sentido da vida, não está a filosofar. Está a tentar tornar inteligível a sua fé, a dar-lhe uma capa discursiva para a tornar menos pessoal e emotiva, legitimando-a "racionalmente".

A Simone Weil "filósofa" nunca deixou de ser a mística de 1935 durante uma procissão na Póvoa de Varzim. Aí morreu, definitivamente, a filósofa Simone Weil. Aderiu ao cristianismo, está certo. Mas a filosofia não é feita de adesões. É feita de razões.

Sorry, baby! Continuo a gostar de ti.

1 comentário:

addiragram disse...

Estou integralmente de acordo. Senti o mesmo quando ouvi Anselmo Borges a fazer, recentemente, uma comunicação num Colóquio no Porto. A argumentação era totalmente mística.
http://www.jasfarma.pt/noticia.php?id=1476