04 janeiro, 2009

CORRENTES DE SOM

Há dias, aqui, parti de dois quadros de Ticiano para mostrar como é possível, com os mesmos dados, chegar a resultados completamente diferentes.
De um ponto de vista musical, tal pode ser facilmente encontrado nas sinfonias de Mahler. Passa-se da harmonia à desarmonia, da alegria à tristeza, da festa à tragédia, com a maior das naturalidades.

Ouça-se, por exemplo, a sinfonia nº1. No primeiro andamento, feito de serenidade, harmonia, paz, alegria de viver, há um momento, quase no fim, em que há um prenúncio de drama enquanto ainda estamos a ouvir os joviais sons que marcam o andamento. O que é impressionante é a própria mistura. Tal como nos quadros de Ticiano, estamos a ouvir a mesma coisa ao mesmo tempo que já ouvimos uma realidade completamente distinta.

Faz-me lembrar quando nadamos no mar e sentimos, ao mesmo tempo, uma corrente de água fria e outra de água quente. Neste caso, com sons. Sons de água quente, sons de água fria. Por vezes, em Mahler, de água gélida.

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