21 janeiro, 2009

ALBERTO CAEIRO NO COUNTRYSIDE

Recebi, há dias, via Amazon, um livro com a correspondência de Isaiah Berlin.

Há uma carta que começa assim:


Monday [14 September 1936]
Skelgill Farm, Newlands,
Keswick, Cumberland
Dear Elizabeth,

Being in a more equable & normal frame of mind, I can now describe our recent experiences here. Life is very pastoral. The country is beautiful but uneven & the long walks which plainly are intended to be taken on it, with no seats obtaining, terrify me. I cannot think, or speak, or therefore be happy while moving uphill. Not so Stephen. He confesses to a natural piety towards the land & is in that respect more religious than I, I suppose.

Este princípio de carta não apenas me diverte como me faz pensar na minha própria experiência. Diverte-me, ao imaginar Berlin, fazendo as tristes figuras do Jacinto de A Cidade e as Serras, horrorizado com os mosquitos, escorregando na erva, sujo de lama e extenuado com os longos caminhos campestres.
Mas também me leva a pensar no que nos separa. Berlin queixa-se à sua amiga Elizabeth de que não consegue pensar no campo. Eu, tal como um certo amigo de Fernando Pessoa que eu cá sei, quando vou para o campo, é precisamente para não pensar.

1 comentário:

PC disse...

Curioso. O ritmo de

"I cannot think, or speak, or therefore be happy"

lembrou-me

"Whether we write or speak or do but look / We are ever unapparent"

, embora haja uma diferença entre a acção impossível, mas desejada (como meio da felicidade), e a sua genérica inutilidade...