01 janeiro, 2009

1 DE JANEIRO


Ainda não vi ou li quaisquer notícias hoje. Tenho 364 dias para o fazer. 364 dias para me cansar, para me fartar. Olhei para as notícias quando abri a Internet mas não lhes dei qualquer confiança.
Comecei a ler o Conde d'Abranhos (nunca tinha lido o Conde d'Abranhos) e, depois, estive a ouvir a 2ª Sinfonia de Mahler. Escolhi Mahler com aquele espírito de não ter podido escolher outra coisa.
Como disse, não vi ou li quaisquer notícias. Do mundo, hoje, basta-me apenas a luz para eu poder viver, já que não vivo sem mundo. Agradeço a luz mas não preciso de mais nada. Tal como nesta pintura de Hammershoi, hoje, o que eu mesmo quero é estar em casa, pois é a casa que dá beleza à luz. Tiremos a sala onde se reflecte a luz e o que fica da luz? A sala, a casa, aquelas paredes, aquele chão, aquele sofá é que permitem à luz revelar o seu esplendor.
Não é a luz que é um luxo. Luxo é ter uma casa onde a luz possa entrar.
E agora vou comer bolo de chocolate.

3 comentários:

jlf disse...

Essa do bolo de chocolate foi uma boa ideia... (Chocolate também é comigo).

Curiosamente também ainda hoje não li nem ouvi quaisquer notícias. Imaginei-me um Vasco Santana atirando à cara dos senhores das notícias: "notícias há muitas, seu palerma"...
Exacto vão chegar os 363 dias restantes para as ouvir ou ler.

Vou organizando uns ficheiros (e daqui a pouco deixar dois posts no flash) enquanto vou conhecendo melhor o austríaco Anton Brukner, a ouvir agora a sua sinfonia nº 4 ("Romântica" - nada melhor para esquecer o azedume da vida), autor que mal conheço.

Não vai ser pera doce? Mas que ao menos 2009 nos deixe saúde e paz e uns trocados para subsistir...

abrs
jl

JCM disse...

Se se fala em luz, não é a casa que a associo, mas a cidade. Por exemplo, a luz de Lisboa, uma luz dolorosamente bela, uma luz a cair, entre o casario, sobre o Tejo, uma luz que nos reconcilia com o mundo e os seus desvarios. Há também certos momentos luminosos do Porto que são muito belos: um pôr-do-sol na Ribeira a olhar para Gaia e a ver o Douro passar, mas nada chega à luz de Lisboa. Mas talvez essas experiências luminosas das "grandes" cidades estejam ancoradas noutras experiências mais arcaicas da luz dentro de casa. Talvez sinta, nesses momentos de êxtase luminoso citadino, a cidade como a extensão directa e interiorizada da própria casa. Um bom ano para os autores do Ponteiros Parados. Não há nada melhor que se possa desejar: que os ponteiros continuem parados.

addiragram disse...

E só em casa se pode saborear a luz.

Bom Ano!