31 dezembro, 2008

O ANJO



"Existe um quadro de Klee chamado Angelus Novus. Representa um anjo que parece preparado para se afastar do local em que se mantém imóvel. Os seus olhos estão escancarados, a sua boca aberta, as suas asas desfraldadas. Tal é o aspecto que deve ter o anjo da história. O seu rosto está voltado para o passado. Ali onde para nós parece haver uma cadeia de acontecimentos, ele vê apenas uma única e só catástrofe, que vai empilhando incessantemente escombros sobre escombros, lançando-os diante dos seus pés. Ele quereria ficar, despertar os mortos e recompor o que foi feito em pedaços. Mas uma tempestade sopra do Paraíso que se apodera das suas asas com tal força, que o anjo já não as pode fechar. Esta tempestade impele-o incessantemente para o futuro, para o qual ele volta as costas, enquanto diante dele e até ao céu se acumulam ruínas. Esta tempestade é aquilo a que nós chamamos o progresso."

Walter Benjamim, Teses sobre a Filosofia da História

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