30 dezembro, 2008

DA EFEMERIDADE

Acometida de nefasto vírus, reclinei-me no sofá, enquanto na televisão passava um filme da série James Bond.
Numa das cenas, Bond, neste caso, Daniel Craig, estava sentado na mais olímpica e esplendorosa das nudezes . Uma delícia para qualquer Miguel Ângelo. Claro que eu apreciei. Sou normal e saudável. Mas, como a cena da nudez foi suficientemente longa, tive tempo para reflectir.
Ora bem, quem é aquele homem? Saberá que escreveu A Fenomenologia do Espírito? Saberá quem é o autor da Genealogia da Moral? Gostará de dos compositores do primeiro barroco? Saberá de que trata a Crítica da Razão Prática?
Para que serve um homem assim? Para olhar uma vez (vamos lá, duas!) e, depois, morrer de tédio.
Claro, ele vai ficar, assim, registado em filme, é o que lhe vale.
Parafraseando D. Francisco Manuel de Melo, noutro contexto, pois se até a prata se marea e o ouro se denigre, não hão-de fenecer os músculos de um homem?
Hegel, Kant e os outros ficarão, para sempre, nas estantes, exactamente com os pensamentos que tiveram na altura em que escreveram aquelas obras.

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