10 dezembro, 2008

CORAGEM

Mário Soares é do tempo do curso de Histórico-Filosóficas. Ouvi-o uma vez dizer, numa entrevista, que apreciava mais a História do que a Filosofia. Nota-se.
Ao elogiar a ministra da Educação pela sua coragem, revela uma lacuna enorme: uma importante passagem logo no início da Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Kant, na qual o filósofo alemão diz que coisas como, por exemplo, a coragem, não são necessariamente boas.
Se um tipo usar a coragem para entrar numa casa a arder para salvar uma criança, a coragem é boa. Mas se essa mesma coragem for usada para assaltar uma casa e raptar uma criança, já se trata de uma coisa hedionda. A coragem da ministra da educação é, naturalmente, do segundo tipo. Mário Soares não é, decididamente, um filósofo.

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