07 novembro, 2008

ZOROASTRO

Leonardo da Vinci - Mona Lisa

Estou na biblioteca da universidade a redigir um trabalho. Numa mesa perto da minha estão vários estudantes também a trabalhar. Há pouco, um dossiê e várias folhas que se encontravam na pontinha da mesa caíram e espalharam-se pelo chão, fazendo algum ruído.


De imediato começaram todos a rir. Ora, rir perante uma coisa que cai para o chão não pode deixar de causar algum espanto. O que é mesmo espantoso é as pessoas já não se espantarem com o facto de as pessoas se rirem quando algo cai para o chão ou até quando se trata mesmo de alguém que cai depois de, por exemplo, ter escorregado numa casca de banana ou de alguém que ficou molhado por causa de um carro ter pisado uma poça de água em grande velocidade.


Por que razão rimos em situações destas? Não nos rimos porque a ordem do mundo foi alterada. Nem sequer nos rimos por estarmos perante o ridículo. Aliás, o ridículo, visto a partir de uma relação distante e neutra com a realidade nem sequer existe.


Rimos porque nós feitos para rir. Mas ensinaram-nos a não rir. Ensinaram-nos a gravidade, a seriedade, a responsabilidade. A partir daqui, sempre que existe um pretexto para rirmos, rimos como se ri uma criança a quem lhe mostram uma roca colorida e ruidosa depois de abrirem a janela do quarto e sair finalmente da escuridão e do silêncio.

Sem comentários: