05 novembro, 2008

A LUZ DA HISTÓRIA

Tirei esta imagem do blogue Modus Vivendi e fi-lo pelo comentário que a acompanha: "outro tempo, outra luz".

Quando eu me ponho a imaginar situações concretas ocorridas na História ou até mesmo certas épocas históricas como um todo, imagino-as sempre com uma luz diferente da nossa: quase sempre escura. E não devo ser o único. No filme O Nome da Rosa, cuja acção decorre na Idade Média, a luz é sempre escura. E não é apenas por se passar no Inverno, penso que o realizador usa a luz como tradução física daquele tempo.

Quando penso na Batalha de Aljubarrota, ou nos portugueses e espanhóis a assinar o Tratado de Tordesilhas, nos franceses a invadirem Portugal, numa batalha em 1915 ou nos judeus a irem para Auschwitz, penso sempre tudo isso banhado por uma luz de Inverno.

Tenho duas hipóteses de explicação para que tal aconteça.

Pode dever-se ao facto de a distância temporal fazer olhar para o passado como olhamos para os objectos quando entramos numa sala sem luz num fim de tarde de Inverno, isto é, com pouca visibilidade e nitidez.

Ou então, e esta hipótese parece-me até mais plausível, pode ser explicado pelo facto de as únicas imagens em movimento que temos do passado mais longínquo em que tais imagens já existiam, serem a preto e branco. Quando vemos num documentário os judeus a serem deportados, mesmo que tal se passe num Verão cheio de luz, ficamos sempre com uma sensação de pouca luminosidade que, depois, é transformada em luz da própria época e, por indução, de todo o passado.

1 comentário:

carla disse...

Essa questão da luz é tão pertinente, q o meu filho Daniel de 7 anos, há dias, perguntou-me se o mundo de antigamente, era a preto e branco...directamente do Brasil, carla pinto. Um beijo grande p o Zé!!!