27 novembro, 2008

LA INFANTA BAILA


Não há dúvida de que Las Meninas, e a família, são muito cá de casa.

O que me fascina na Mariana de Áustria de Valdés é o que me fascina em todo o exercício da intertextualidade, esse desdobramento e recriação de um motivo sob outra forma e numa diversa linguagem. Tudo muda e tudo permanece igual.
No livro de Manuel Hidalgo, La Infanta baila, à mesma hora em que os vigilantes nocturnos do Prado descobrem, atónitos, que todas as figuras dos quadros de Velásquez tinham desaparecido, a infanta e as aias acotovelam-se numa carruagem do metro a caminho da movida e da noite madrilena . O autor perde-se um pouco na tentativa ambiciosa de desenhar uma grande parábola sobre o bem e o mal, a luz e a escuridão.

Hidalgo não consegue o que Valdés consegue: da obra retirar obra.

No entanto, a infanta continua a bailar.

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