18 novembro, 2008

CEMITÉRIO DE LIVROS


Durante os anos 60, nas estantes dos poucos portugueses que tinham livros em casa, era obrigatório encontrar os clássicos russos, Victor Hugo, Lamartine, Stephen Zweig, Dickens ou Thomas Mann. Entre os portugueses, para além de Eça e Camilo, Aquilino, Ferreira de Castro ou Torga eram presenças incontornáveis. Fernando Namora era também um best seller. Nos anos 70 e 80, Vergílio Ferreira era um ícone literário.

Eu olho à minha volta e vejo o futuro de dezenas de Fernandos Namoras. Autores que vendem, que são lidos ou fingem que são lidos mas que serão enterrados juntamente com os seus livros.

1 comentário:

jl disse...

Verdade. Também creio que sim. Que grande parte dos autores, que pululam por aí, levarão consigo as obras que escreveram e que provocaram o seu deslumbramento, quando se finarem.
Em cada geração, quantos virão a ser considerados “clássicos” em futuras épocas? Quantos virão a ser “presenças incontornáveis” nas estantes dos futuros intelectuais?
Muito poucos, também estou em crer.


(Uma presença garantida nas bibliotecas domésticas da nata intelectual das gerações vindouras até aos confins dos tempos é, seguramente, Margarida Rebelo Pinto... Já dum Saramago, dum Jorge Amado, dum Pessoa ou dum Drummond de Andrade não estou tão seguro!)