16 outubro, 2008

SER AVÔ DE SI MESMO

Gostaria de aqui trazer duas cenas do filme Conto de Verão, de Eric Rohmer, realizado há 12 anos mas cuja acção parece ser anterior.
Numa delas, há uma rapariga que pergunta a um rapaz (ambos na fotografia) se ele vai sair à noite. Ele diz que não, pois tem de ficar em casa à espera de um telefonema importante. Repito: fica em casa porque espera um telefonema importante.
Na outra cena, o mesmo rapaz, questionado sobre o que se passa com uma determinada rapariga que não está presente, diz que não sabe nada dela mas que está à espera de um postal para saber novidades. Repito: está à espera de um postal para saber novidades.
Perante situações destas, lembrei-me daquelas vivências que os avós contam aos netos sobre o tempo em que eram jovens, provocando nos últimos sentimentos de perplexidade e de incredulidade.
Eu, que passei por situações iguais àquelas do filme, pensando nelas à distância, sinto-me uma espécie de avô de mim mesmo.

1 comentário:

gustavo faria disse...

tenho 25 anos e lembro-me de brincar numa rua sem carros, de não haver computador em casa, de levar reguadas e fazer ditados na escola, não falar ao telemóvel.
Sou um pai recente.
Também sinto que às vezes o tempo me ultrapassa.
Será que tenho que começar a ver os Morangos com Açucar?
(a minha resposta após 5 segundos: até podia ver, se não tivesse reuniões)