06 outubro, 2008

SEM DIA SEGUINTE


Toda a gente fala no 5 de Outubro, no 25 de Abril, no 1 de Dezembro, no 14 de Julho, no 11 de Setembro. Mas ninguém fala no 6 de Outubro, no 26 de Abril, no 2 de Dezembro, no 15 de Julho, no 12 de Setembro.

É uma enorme injustiça para esses dias. Se é nos outros que as coisas se fazem ou acontecem, é no dia seguinte que se pensa no que se vai fazer, como fazer ou até se valeu a pena ter feito. São, pois, dias de grande efervescência, de grande intensidade, de grandes entusiasmos.

No dia 25 de Abril não se discutiu nada. Nos dias seguintes, começou-se a discutir bastante, a traçar planos, a propor fórmulas. Nos dias seguintes ao 5 de Outubro também deverá ter sido assim.

Actualmente, estamos numa fase da História sem dia seguinte. Sabe-se que há coisas a acontecer mas que, por não implicarem rupturas e serem quase invisíveis, também não dão muito espaço para a discussão e projectar o futuro.

1 comentário:

Anónimo disse...

Na cada vez maior surdez do momento, como perscrutar o amanhã?

(Um dia até se ouviu falar dos "amanhãs que cantam"...)

jl