10 outubro, 2008

POETAS ESQUECIDOS


Murmúrio da água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...


Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia de areia ressequida, 0
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa...


Eugénio de Castro (1869-1944)


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