19 outubro, 2008

À LA RÉJECTION DU TEMPS PERDU


Ontem à noite, antes de ir dormir, estive a ver na RTP-Memória um União da Madeira-Benfica jogado em 1994. No início comecei por gostar. Principalmente porque me sabia bem ouvir "Vítor Paneira", "Isaías", "Preudhomme".

Mas depois lembrei-me de que um dia iria morrer e que seria decadente passar uma parte da minha vida a ver um União da Madeira-Benfica de 1994.
Só que, se virmos bem, qual será a diferença entre um União da Madeira-Benfica de 1994 e o Paços de Ferreira-Benfica que eu vi há dias? São ontologicamente semelhantes.

Se daqui a 14 anos eu vir na RTP-Memória o Paços de Ferreira-Benfica que vi há dias, vou ver o mesmo jogo que vi ontem entre o União da Madeira e o Benfica e irei também perceber que, sabendo que irei morrer, será decadente estar a vê-lo

Ontem, deixei de ver o jogo e acabei por ir dormir. Já que se tem de morrer, pelo menos podemos ir treinando.

5 comentários:

Xantipa disse...

Não tem muito interesse para sim, provavelmente, mas como não comento com a frequência com que leio nem proporcionalmente ao prazer que esta leitura me proporciona, como hoje é domingo aqui ficam o meu sentimento de apreço por e de identificação com este vosso espaço.

José Ricardo Costa disse...

Cara Xantipa

Claro que tem interesse. Já tinha sido descoberta muito antes de termos sido nós descobertos.

Quanto aos comentários subscrevo o que disse. O que seria de nós se passássemos o tempo a comentar os blogues que frequentamos? É bom sabermos que a nossa casa é frequentada. E não é preciso falar para usufruírmos da boa companhia dos outros.
Bom domingo!
JR

Anónimo disse...

De facto não li este livro cuja capa se mostra aqui. Mas a verdade é que um amigo meu me disse que, por insinuações várias ao longo da obra (e até, parece, por explícitas referências), Marcel Proust alude e trata, exactamente, da busca do tempo perdido com as exibições do seu clube por parte dos benfiquistas...

Parece bater certo!

Aliás, o Segismundo F também por ali andou para fundamentar uma sua tese...

Vá lá JR!
Ainda está a tempo...



E agora a sério: bem tirada foi essa de que "já que se tem de morrer, pelo menos podemos ir treinando"

jl

DDT: desculpe lá, mas essa do "ir trinando" obrigou-me a fazer marcha à ré: ir dormindo, de entusiasmo, com as exibições dos tais passaritos é que é "ir treinando"?
Assim sendo,então terei de dar o dito por não dito: trata-se, antes, de publicidade enganosa, usando, até, o mais eficaz (porque negativo) isco, e não de séria e profunda refexão.

jl

gustavo faria disse...

O único jogo que vi até ao fim na RTP Memória foi a final da Taça entre o Sporting e o Marítimo. Lembro-me de ter visto o jogo em directo e de ter sido a loucura! O Yordanov, (onde é que ele já vai?...) marcou 2 golos!!! Mas isto foi em 1995...
Olhando para este jogo em 2008... vi um grande jogo de futebol na mesma, mas não gritei que nem um louco no final, até porque já não tenho 12 anos e já sabia o resultado final.
Ontologicamente, o jogo é o mesmo. E nós? Somos os mesmos, mas diferentes? Ou somos os mesmos, mesmos? Somos os mesmos mais crescidos? Ou somos os mesmos, mais quê?

de.puta.madre disse...

"Há um tempo para tudo ..." Eclesiastes, Bíblia.