25 outubro, 2008

CRER E SABER

Nesta entrevista, o escritor Luis Sepúlveda afirma o seguinte:

"Vivemos com a morte. Sei que vai chegar. Mas tenho uma grande sorte: não sou católico nem muçulmano nem judeu, não acredito em Deus e sei que não existe. Por isso a morte não me preocupa."

Esta frase não faz sentido. Se sabe que Deus não existe não pode afirmar que não acredita em Deus, se diz que não acredita em Deus não pode dizer que sabe que não existe.
Eu sei que 2+2=4, sei que a capital de Portugal é Lisboa, sei que o círculo é redondo. Não digo que acredito que 2+2=4, que acredito que a capital de Portugal é Lisboa ou que acredito ser o círculo redondo. Não, eu sei que 2+2=4, assim como sei as outras coisas.
Posso dizer: acredito que o Benfica vai ganhar o próximo jogo por 1-0. Digo que acredito pois não sei se vai ganhar, ou não acredito que Santana Lopes volte a ser PM, exactamente pela mesma razão: não sei se vai.
Mesmo que o Benfica ganhe o jogo por 1-0 e que Santana Lopes não volte a ser PM, não posso dizer, a posteriori, que sabia ambas as coisas apenas pelo facto de ver as minhas crenças confirmadas. Uma crença, mesmo verdadeira, não é um "eu sei", não é conhecimento. Terá de ser uma crença verdadeira justificada. Mas se é uma crença verdadeira justificada deixa de ser uma crença pura para passar a ser conhecimento e, sendo assim, não é correcto dizer simplesmente que se acredita ou se deixa de acreditar.

1 comentário:

Anónimo disse...

Agora, sim, entendi melhor: afinal, também não escreve mesmo!
Também não acredita que a criatura volte, de novo, a liderar um governo... (Vá, convenha: também fará ma apostinha...)

'Eu sabia que o JR sabia que eu sabia...'

jl