07 outubro, 2008

ABSOLUTÍSSIMA MAIORIA


Discursando nos Açores perante militantes centristas, e para manifestar a sua opinião contra as maiorias absolutas, Paulo Portas invocou um pensamento de Adriano Moreira relativamente ao perigo de tais maiorias.

Cá para mim, tal rejeição por parte do velho professor deve vir do tempo em que foi ministro de Salazar. É que nesse tempo não havia maiorias absolutas, apenas absolutíssimas maiorias.

2 comentários:

zemanel disse...

Caro JRC:
Duas notas pessoais.
Não tenho nada contra as maiorias absolutas: elas são o reflexo democrático natural de um processo eleitoral. Cada voto é a expressão de cada votante. Não há nenhuma lei científica que demonstre que a governação maioritária é incompatível com uma governação democrática, dialogante e de participação social.
Aliás o endeusamento das minorias absolutas conduz á ideia perigosa que os governos competentes são aqueles em que domina um partido aliado a um outro que serve de grilo falante. Aliás a experiência dos governos desastrosos de Durão/Portas e Santana/ Portas demonstram esta evidência.
Quanto a Adriano Moreira, o Professor adriano Moreira, mesmo quando discordo - e neste caso discordo absolutamente- é uma das (poucas) personalidades da direita portuguesa cujas palavras me merecem atenção.
Não esqueço um episódio pessoal em que num debate universitário (em 1993? 1994?) com jovens das jotas, moderado pelo Professor, o representante da juventude do CDS levou um raspanete público do "velho" moderador por ter efectuado uma intervenção própria de campanha eleitoral, mas imprópria no espaço da Universidade. O Jovem (mais tarde conhecido político do CDS) encolheu-se todo e pediu desculpas à Universidade e ao Professor pelo tom da sua intervenção.
Aprendi (?) nesse dia, com o Professor Adriano Moreira, a distinguir convicções pessoais profundas dom sectarismo e dogmatismo.

José Ricardo Costa disse...

Caro zemanel

Vamos lá ver. Apesar de eu ter um chicote aqui à mão para flagelar as minhas costas sempre que me lembro que contribuí para ajudar o PS a ter maioria absoluta, por princípio, também não sou contra as maiorias absolutas.

Não ponho em causa o valor humano e intelectual de Adriano Moreira. Mas há qualquer coisa que não bate certo quando um homem que defendeu e foi actor de um regime no qual apenas a sua própria voz podia ser ouvida, vir depois criticar a ideia de maioria absoluta. Ele deveria adorar maiorias absolutas...

JR