27 setembro, 2008

CÁLICLES, O LIBERAL

Todas as obras de Platão estão construídas através de diálogos nos quais várias personagens disputam entre si diferentes pontos de vista sobre um determinado tema. Cada obra é dedicada a um tema. Pode ser a justiça, a amizade, a imortalidade da alma, o belo, a coragem, o erro. Todas elas têm um aspecto em comum: Sócrates é sempre a personagem principal, digamos, o alter-ego do própio Platão.
No Górgias há um diálogo entre Cálices e Sócrates, por causa da noção de justiça. Cálicles defende que na sociedade deve imperar a lei do mais forte. Se, na natureza, o leão come a gazela, não vê por que razão não haverá de ser também assim entre os homens. Se há homens mais fortes, mais inteligentes, mais perspicazes, pela própria ordem natural das coisas, deverão subjugar os mais fracos.
Sócrates reage com uma indignação pouco habitual, defendendo que as relações sociais e económicas devem ser marcadas pelo equilíbrio, a proporção, a igualdade.
Se transferíssemos este diálogo para a actualidade, quem seria Cálicles, quem seria Sócrates?

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